7 rituais que podem mudar a tua Vida

Da mesma forma que ritualizamos os grandes ciclos de vida – marcados por transformações físicas, mentais, emocionais e espirituais -, revestindo-os de uma imanente sacralidade, conferindo significado e propósito às nossas vidas, o mesmo pode ser feito numa base diária, semanal, mensal e anual.

Pequenos rituais que nos enraízam, nos trazem ao aqui e agora, lembrando-nos do ser sagrado que somos, do tempo-espaço sagrado que habitamos, que é muito mais do que as mil e uma (também importantes, é certo) tarefas nas quais nos perdemos diariamente.

1. Contemplar

Um pôr-do-sol, a chuva a cair, os pássaros rodopiando ao vento, o céu nocturno, crianças a brincar, uma paisagem, a vastidão do oceano, o nascer do dia. O cenário que atraia a tua atenção, e onde descanses o lado esquerdo do cérebro. Sem pensamentos, sem análises, sem diálogos. O momento é de observação, atenção plena. Um intervalo, para a nossa mente se entregar apenas à devoção contemplativa.

Dedicando, dez, quinze, vinte minutos ao dia, é uma prática que também te conecta com os grandes ciclos da Natureza. Ver as estações a passar, estando presente, assistindo à sua metamorfose, dá-nos também pistas para o que ocorre connosco. Não é por acaso que no Inverno estamos mais recolhidas, com menos energia, menos vontade para sociabilizar. A Natureza está igual, hibernante, agreste, introvertida, a energia está toda centrada nas raízes, da mesma forma que a nossa força vital está mais centrada no nosso aquecimento, não é tempo para a desperdiçar.

2. Orar | Meditar

Ao despertar, a meio do dia, ao deitar, quando for propício. Religiosa ou não, pouca diferença faz. Fazer uma prece, meditar, agradecer, dialogar com o anjo da guarda, os santos, os guias, com Deus, com a Deusa, o Universo, o Nada, transporta-nos para uma dimensão na qual nos rendemos, baixamos a guarda, aceitamos humildemente que pouco ou nada controlamos e invocamos uma força maior para nos proteger, dar alento, nos guiar, propondo-nos fluir, acreditar, dar um salto de fé. Biologicamente entramos no sistema parassimpático, o sistema de “rest and repair”, onde a cura acontece e a paz se restabelece.

3. Escrever um diário

Manter um diário lembra-nos a adolescência, onde não havia peripécia que escapasse à tinta imortalizadora, e de certa forma encerradora de gargalhadas, lágrimas, e todas as emoções que acompanhavam a dona do diário. Pois bem, se funcionava antes, funciona agora. Sobretudo porque passamos por muitas experiências que nem sempre se podem resolver com honestidade radical e a expressão crua e dura do que nos vai nas entranhas. Umas vezes engolimos sapos de um chefe mal disposto, viramos o saco de boxe verbal de algum transeunte enervado, ou discutimos com o namorado. Ou simplesmente estamos a viver algum dilema, a passar por um luto, uma depressão, ou com crises de insónias motivadas por preocupações.

Descarregar o ficheiro daquelas conversas internas, muitas vezes em loop, tem tanto de pacificador como de processador de emoções. A mente esvazia-se, abrindo espaço para novas perspectivas sobre o assunto e soluções não antes encontradas. Por outro lado, se for um diário específico (do sono, de energia, do ciclo menstrual, de sonhos…), é uma ferramenta extraordinária para detectares padrões e gatilhos.

4. Caminhar descalça

Somos capazes de passar meses sem pisar o chão de terra, sentindo as pedras, as raízes, as rugosidades e irregularidades, que nos conectam com o nosso lado menos domesticado. Que nos calibra energeticamente, ao descarregarmos excesso de electricidade estática, ao mesmo tempo que nos sintonizamos com o compasso desacelerado do pulsar da Terra.

Na praia, no jardim, num canteiro, onde o pé não sinta o toque impermeabilizado do asfalto, é impressionante – ainda que imperceptível à razão -, o valor que aquela simples troca de descer à terra, e enraizar, proporciona, sobretudo numa altura em que vivemos quase sempre no plano mental, ou seja, de cabeça – e corpo -, no ar.

5. Praticar o Ritual da Lua

Sabemos como a Lua influencia as águas do planeta, e consequentemente as nossas águas internas. Com a Lua Cheia, por exemplo, as emoções estão mais à flor da pele, é comum termos insónias ou sonhos muito lúcidos. Quando nos propomos integrar os ciclos lunares na nossa vida – ciclos esses que têm inclusive uma correspondência com o nosso ciclo menstrual -, a magia acontece.

Sintonizar os nossos desejos e intenções com a Lua Nova, e observar os seus resultados e manifestações na Lua Cheia é um ritual mensal que, de resto, nos predispõe para um compromisso individual, um encontro marcado connosco mesmas, durante o qual damos voz a todos os nossos sonhos, desejos, mapeamos as nossas aspirações – que mudam, como as estações -, num processo contínuo de autodescoberta e realização pessoal.

Se queres saber mais sobre os rituais lunares, visita-me a cada Lua Nova e Lua Cheia, dou-te algumas pistas para tirares o melhor partido da energia disponível. Dia 13 de Março é a próxima Lua Nova, aparece!

6. Tomar banhos de Floresta

Há qualquer coisa de balsâmico num passeio pela floresta, de preferência demorado e com direito a descanso, estendida confortavelmente, aquecida pelo sol e pelas forças telúricas daquele local, que nos fortalece o sistema imunitário, equilibra o sistema nervoso e nos devolve uma conexão com o sistema natural, do qual fazemos parte.

Se intuitivamente sentimos como estas experiências na Natureza nos relaxam, os banhos de floresta são uma abordagem terapêutica, cientificamente provada, no tratamento da depressão, na diminuição da tensão arterial e na redução do stress.

7. Fazer um Retiro

Seja mensalmente, nos primeiros dias da menstruação, seja anualmente, num contexto de grupo organizado, retirarmo-nos por uns dias é morrer para nascer de novo. Um reset, que nos propicia tempo de alta qualidade, nutrição emocional, e uma relação intrapessoal renovada, onde o piloto automático e o excesso de autocritica dão lugar à descompressão, ao alinhamento de ideias, à compaixão e renovação de votos com a mulher renascida das cinzas. Um lugar seguro, de partilhas, de balanço da vida, de descoberta e de recordação. Onde deixas de ver apenas a árvore mas vês toda a floresta e as suas incalculáveis possibilidades. Onde apenas és.